11/06/2018 às 10:08 - Atualizado em 13/06/2018 às 13:31

Turismo fecha primeiro quadrimestre com saldo positivo de vagas de trabalho

Estudo da CNC mostra que o transporte de passageiros se destaca, com geração líquida de 3.938 empregos formais no período. Já a área de cultura e lazer segue no negativo, com perda de 1.069 vagas

O setor de turismo no Brasil fechou o primeiro quadrimestre de 2018 com saldo positivo de 2.762 postos de trabalho. O mês de abril marcou a geração líquida de 2.477 novos empregos, interrompendo a sequência negativa de fevereiro e março (-3.032 no total). O estudo Empregabilidade no Turismo, produzido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, aponta que o segmento de transporte de passageiros foi o que mais criou vagas formais no período (3.938).

O número de pessoas ocupadas no turismo atingiu, em abril, 2.926.568, com predominância dos empregos no segmento de hospedagem e alimentação (1,9 milhão de pessoas ocupadas) e nos diversos meios de transporte de passageiros (805 mil vagas). Juntos, os dois grupos de atividades respondem por 92,7% da ocupação da mão de obra nos diversos segmentos turísticos. “A concentração do emprego reflete o interesse das pessoas pelo consumo de viagens, hospedagem e alimentação fora do domicílio, principalmente”, afirma o economista da CNC Antonio Everton.

Para a CNC, embora tímido, o crescimento do emprego reflete a recuperação de alguns segmentos importantes. No entanto, a greve dos caminhoneiros e a escassez de combustíveis, ocorridas por 11 dias no mês de maio, podem modificar a tendência no curto prazo. “As medidas de resolução da crise tomadas pelo governo afetarão o equilíbrio inicial da economia. Isso vai interferir nas decisões de gastos das famílias, deixando-as cautelosas com relação às despesas com turismo”, pondera o economista.

Resultado por estados – 1º quadrimestre

Regionalmente, o estudo aponta crescimento do emprego no Sudeste e Centro-Oeste, com destaque para São Paulo (9.244 postos criados) e Distrito Federal (1.469 vagas). Já a região Sul teve redução líquida de 4.203 postos formais, apesar do crescimento verificado no Paraná (911 empregos novos).

O emprego no turismo do Rio de Janeiro é um caso à parte. A situação da economia levou ao fechamento de 2.893 empregos, em virtude da pouca capacidade do governo de realizar investimentos e da onda de violência, que acaba por afastar o turista. Nos últimos 12 meses encerrados em abril, o Estado perdeu 12.757 vagas formais.

Mais viagens domésticas

O saldo da conta turismo do Balanço de Pagamentos de janeiro a abril deste ano registrou aumento do déficit (de US$ 2,18 bilhões para US$ 2,49 bilhões) por causa do aumento das despesas dos brasileiros lá fora (de US$ 2,97 bilhões para US$ 4,04 bilhões), enquanto as receitas dos gastos de turistas estrangeiros no Brasil aumentaram somente 6,55% (de US$ 1,60 bilhão para US$ 1, 71 bilhão).

Para a Confederação, a recente elevação cambial desvalorizando o real (+10,95% de 25 de janeiro a 30 de abril) poderá resultar no redirecionamento de recursos das famílias com viagens internacionais para viagens domésticas, incrementando o volume de vendas das atividades turísticas.