14/10/2019 às 15:36 - Atualizado em 14/10/2019 às 15:49

Placas e cartazes, uma obsessão nas assembleias

Leo Martins / Agência O Globo Fernando Blower, dono do Meza Bar e presidente do Sindicato dos Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro

Na contramão de outros segmentos, a indústria de placas e cartazes não tem do que reclamar dos legisladores nos estados. Imbuídos de um ímpeto didático aparentemente insaciável, deputados das principais assembleias são pródigos na aprovação de leis que obrigam a fixação de avisos em estabelecimentos com as mais diversas mensagens.

Talvez porque todo deputado se interesse tanto quanto os cidadãos pelos prazeres à mesa, bares e restaurantes são os alvos favoritos dessa sanha informativa. Os estabelecimentos do Rio, por exemplo, estão submetidos a 23 decretos estaduais, municipais e portarias que obrigam a fixação de avisos que vão do hospitaleiro “Nossa cozinha está aberta à visitação” ao ameaçador “É proibido o ingresso e permanência de pessoas armadas no recinto”.

É tanta placa que, às vezes, falta parede para cumprir as normas, resume Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA).

No Rio, a Alerj não esqueceu de outros setores. Desde 2018, academias e clubes devem ostentar cartazes que informem sobre a “importância de consultar o Conselho Regional de Educação Física sobre a situação do profissional de educação física”.

Outra lei fluminense uniu hospitais e estúdios de tatuagem na obrigação de afixar cartaz advertindo sobre a proibição da doação de sangue por pessoas com tatuagem permanente ou piercing, por um ano, “a partir da aplicação dos adereços”.

Já nos ônibus intermunicipais, deve ficar visível o certificado de “capacitação do condutor no manuseio do equipamento”. A lei se refere ao aparelho de acesso de cadeirantes — que só poderão conferir o documento após embarcarem.

Fonte: O Globo (https://glo.bo/2poBP4x)