17/06/2020 às 17:05 - Atualizado em 17/06/2020 às 18:38

Impactado pela pandemia, setor de serviços despenca 11,7% em abril

Francois Nascimbeni/AFP

Por Marina Barbosa

O setor de serviços registrou uma queda de 11,7% em abril deste ano por conta do impacto recessivo da pandemia do novo coronavírus. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o tombo foi o maior da série histórica e se refletiu em todas as atividades do setor.

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada, nesta quarta-feira (17/6), pelo IBGE, mostra que o setor se serviços, que é um dos principais motores da economia brasileira, já vinha cambaleando antes mesmo da pandemia do novo coronavírus. Porém, mergulhou em uma crise profunda diante das medidas de isolamento social impostas pela covid-19.

Afinal, a quarentena exigiu o fechamento da maior parte de serviços como bares, restaurantes e salões de beleza e ainda reduziu a demanda dos serviços que continuaram funcionando, como os transportes.

Por conta disso, o setor caiu 1% em fevereiro, 6,9% em março e mais 11,7% em abril. E essa queda de abril é ainda maior quando se compara o mês com o mesmo período do ano passado: 17,2%. "Nesses dois últimos meses, há uma perda acumulada de 17,9%, o que traz o volume de serviços para um patamar 27% abaixo do ponto mais alto da série, em novembro de 2014”, revelou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

Setores

Segundo o IBGE, o tombo do setor de serviços se aprofundou em abril porque este foi o primeiro mês completo de isolamento social no Brasil. Por isso, todas as atividades avaliadas pela PMS também tiveram quedas recordes nesse mês.

A maior queda veio dos serviços prestados às famílias, que despencou 44,1%, influenciado pelo recuo na prestação de serviços de alojamento e alimentação (-46,5%) e de outros serviços prestados às famílias (-33,3%). Afinal, esse setor foi influenciado pelo fechamento do comércio, mas também pela redução da renda das famílias brasileiras, que viram o desemprego avançar no Brasil em meio à pandemia. 

Porém, de acordo com o IBGE, o maior peso negativo veio mesmo do subsetor de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que recuou 17,8%. É que só o transporte aéreo despencou 73,8% e o terrestre contraiu mais 20,6%.

“O setor de transporte já havia caído em março e teve sua queda intensificada em abril. Além da perda das receitas no transporte aéreo de passageiros e no transporte rodoviário coletivo de passageiros, se observaram quedas no transporte rodoviário de carga, operação de aeroportos, concessionárias de rodovias e metroferroviário de passageiros”, explicou Lobo. 

Ainda foram observadas taxas negativas nos serviços profissionais, administrativos e complementares (-8,6%), de informação e comunicação (-3,6%) e de outros serviços (-7,4%).

Por conta disso, só um estado brasileiro conseguiu fechar o mês com o seu setor de serviços no azul. Foi Mato Grosso do Sul, cujo setor de serviços cresceu 9% em abril, beneficiado pelo escoamento da safra de grãos. “Esse crescimento de 9,0% não recupera a perda de 12,6% observada em março.

Em termos de atividade, houve um aumento do transporte ferroviário de cargas, relativo ao escoamento da produção de grãos da região, e o peso do setor de transportes no estado é superior a 60%”, contextualizou o gerente da PMS.

Turismo

Um dos principais subsetores dos serviços brasileiros, o turismo também foi fortemente impactado pela pandemia do novo coronavírus. E esse baque foi ainda maior que o do setor como um todo. Segundo o IBGE, o índice de atividades turísticas desabou 54,5% em abril, frente a março. Foi a maior queda da série histórica, iniciada em janeiro de 2011.

"As medidas contra a covid-19, como o estímulo ao isolamento social, atingiram de forma mais intensa e imediata boa parte das empresas que compõem as atividades correlatas ao turismo, principalmente, transporte aéreo de passageiros, restaurantes e hotéis", explicou o IBGE. Os maiores recuos do turismo foram observados nos estados de São Paulo (-52,0%), Rio de Janeiro (-52,7%), Minas Gerais (-49,4%) e Bahia (-63,1%). 

Fonte: Correio Braziliense