27/01/2021 às 16:35 - Atualizado em 27/01/2021 às 18:08

É preciso acreditar em dias melhores

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Por Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA)

A aprovação do uso emergencial das vacinas contra Covid-19, no Brasil, trouxe a esperança de que dias melhores se aproximam. A decisão é, sem dúvidas, fundamental para que possamos controlar a pandemia.

Dessa forma, além de poupar milhões de vidas, também será possível auxiliar na recuperação econômica do nosso território que, desde março do ano passado, sofre com a crise provocada pela infecção viral.
 
O início da luta para imunizar a população movimenta o mercado nacional e possibilita que novas portas possam ser abertas para diferentes segmentos, inclusive, para o turismo. 

É inegável que 2020 marcou o nosso setor de inúmeras formas. A hotelaria brasileira, por exemplo, teve quase 80% dos seus estabelecimentos fechados até junho, provocando um saldo negativo expressivo em seu faturamento anual. 

Além disso, os bares e restaurantes também não ficaram para trás no que diz respeito aos prejuízos: os maiores cortes de vagas de emprego ocorreram nesses estabelecimentos, com menos 72,1 mil funcionários.

Estima-se que tivemos uma perda de R$ 261,3 bilhões desde a chegada do coronavírus em nosso país. Esse valor gerou um problema estrutural para o trade. É sabido que, com isso, o setor fechou o último ano operando com apenas 42% da capacidade mensal de geração de receitas, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Nossas perdas de faturamento iniciaram na casa dos R$ 13,38 bilhões, em março. No mês seguinte, tivemos um registro de R$ 36,94 bilhões e, na sequência, chegamos ao pico do problema financeiro com a marca de R$ 37,47 bilhões, em maio. 

Graças às intervenções que o empresariado turístico teve, com a solicitação de Medidas Provisórias e Projetos de Lei para minimizar os danos, conseguimos fechar o ano com menos R$ 15,83 bilhões, sendo um valor expressivamente mais “tranquilo”, levando em consideração o crescimento exacerbado do déficit ao longo dos últimos meses antes de dezembro.

É importante destacar que todos esses valores culminaram na eliminação de 569,4 mil postos de trabalho, até outubro do ano passado, sendo o equivalente a 12,9% da força de trabalho brasileira. Não foram dias fáceis. Houve muito sofrimento por trás de cada percentual calculado. 

Entretanto, no dia 19 de janeiro, foi divulgado que o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), medido pela CNC, recuou em 2,2% neste mesmo mês, caindo a 105,8 pontos. 

Apesar da segunda queda mensal consecutiva, o indicador permaneceu acima dos 100 pontos pela quarta vez seguida, sendo um indício de otimismo para o mercado. Os empresários – de todos os setores – passam por momentos turbulentos, mas que estão sendo minimizados pelo esforço conjunto para combater essa crise global.

A luta por dias melhores não pode parar, especialmente dentro do nosso segmento. Claro que, no caminho para a nossa retomada turística, há momentos altos e baixos que devem ser enfrentados. Mesmo assim, independente da situação, o nosso trabalho deve continuar intenso e determinado para driblar os dias escuros que vêm por ai.

Nossos esforços geram resultados. Não podemos duvidar jamais disso! Esse fato pode ser corroborado com a divulgação do Índice de Atividades Turísticas no país, que teve o seu crescimento pelo sétimo mês consecutivo. Entre outubro e novembro do ano passado, esse cálculo subiu 7,6%, impulsionado pelos serviços de alojamento e alimentação, que avançaram 9,1%, e pelo segmento de transporte aéreo, que teve alta de 6,8%. 

No acumulado dos últimos sete meses analisados, o setor registrou um ganho de 120,8%. Os dados foram apresentados na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Não é à toa que consolidamos o turismo como um dos principais setores econômicos brasileiros. Esta conquista não pode cair para o esquecimento. Nós somos gigantes e, assim como em qualquer outra adversidade, sairemos mais fortes ainda dessa pandemia. 

Artigo exclusivo para a Isto É Dinheiro.